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tanto tempo sem escrever pra fazer um post enorme que me consumiu tempo, sentimentos e sanidade. .delirium Capítulo 4: Beyond Me A boneca de pano estranhou o vilarejo japonês em ruínas tanto quanto Mefistófeles, o anjo das Trevas, mas Cora parecia saber exatamente onde estava. E também que estava sem o medalhão de Agat. - Não acredito! Estamos no Limbo! O medalhão nos tirou do Reino dos Mortos! – animou-se a rainha de Hades. - Você tem certeza disso? – disse uma voz feminina. Cora se virou e a viu, vestida de branco como sempre e com seus intermináveis cachos dourados. - Mabi, a rainha das Ninfas e da ilusão. - Delírio. – sussurrou Mefistófeles. - Oi! – disse Mabi, estendendo uma das mãos – E tchau! – disse, abaixando a mão e fazendo com que a visão de seus visitantes ficasse turva e indefinida. Cora só consegue piscar e ao abrir os olhos, não está mais lá. Quando abriu os olhos, Cora, o anjo negro e a boneca de pano estavam dentro do palácio esmeralda diminuto, diante do pobre pierrô. - Mas? Quem são vocês? – indagou o velho em seu pijama quadriculado. Antes que um dos três tentasse dizer, o Arlequim o fez, surgindo quase do nada, numa das portas. - São convidados do mestre, meu querido amigo e quase irmão! E ele os aguarda em seu salão. - Ele está aqui? Mas... - Veio por um dos espelhos agora a pouco e pediu para que viesse chamar por vocês. O Arlequim fez sinal para que eles fossem na frente, passando pelas portas e corredores até chegar ao salão principal. - Charles – disse alguém que estava na janela, à meia-luz - leve a boneca para o cemitério do Escuro. Preciso conversar com Cora e o anjo. E me tragam aquelas coisas que estão na Sala de Ferramentas, ok? - Sim, senhor! – disse o pierrô, levando a boneca e o Arlequim junto. - Oz? – perguntou Cora. Ele virou-se. Não era ele. Era eu. - Você sabe que sim... e não. - Confuso como sempre. – foi o que ela disse. – Você ainda me parece o Oz. - Nós raramente temos uma aparência verdadeira em sonhos – eu disse .– Olha, eu sei por que você está aqui. Mas você sabe? - Por que você não quer mais acordar e se ver transformado numa barata? Tudo que pude fazer foi sorrir. - Preciso que vocês façam algumas coisas por mim. Preencham algumas lacunas e me ajudem a lidar com Mabi, a Ilusão. - Isso já tá parecendo novela! – disse o Arlequim, que acabava de voltar para a sala com os artefatos que eu pedi. – Música é melhor que novela. - Nada melhor do que assistir um filminho comendo batata frita! – exclamou Pedrolino, o pierrô. - Mesmo com todo seu poder dentro de um mundo de sonhos, é um defeito do homem não poder escolher seu destino. Ele pode apenas escolher como reagirá quando o chamado do destino vier. Esperando que terá a coragem para responder a altura. Só descendo ao fundo do poço é que a gente recupera os tesouros da vida. Algumas pessoas morrem e nem ao menos percebem. Eu não só percebo minhas mortes em vida, como não as suporto. Mas algo está diferente. Você está me fazendo ter vontade de viver e melhorar, novamente! - Você está me dizendo que você criou tudo isso e todas essas mortes só para vir até o Hades? Mas... - É preciso morrer e renascer, quando a vida que temos já não nos serve mais. – eu disse, estupidamente. – Não é esse o significado do renascimento? - Eu... – ela hesitou. Sabia. Isso sempre acontece. – Eu pertenço a Hades... - Ninguém é dono de ninguém. - Gosto quando você fica meio doido. Parece que é você mesmo. Quando tenta ser certinho fica muito deprê e nada dá certo. Acredite, eu sei como é isso. Mas é mais fácil falar do que fazer! Nós nem pertencemos ao mesmo mundo... - Eu sempre estive louco, eu sei que eu estive louco, como a maioria de nós... muito duro explicar por que você está louco, até mesmo,se você não está louco... – foi a besteira que saiu da minha boca. – Nem tudo funciona certinho. É preciso quebrar as regras e dar umas pancadinhas de vez em quando... Mas tem que saber onde e como bater. – concluí, pensando em mudar de assunto. Cora estava pensativa. Medo. - Eu faço o que tiver que fazer. Já sei qual é meu fim mesmo... Quero te ajudar, mesmo que isso não seja permitido. Fiquei feliz e angustiado. Sei o que terei que fazer depois... Entreguei-lhes os artefatos. Dei-lhe o colar. - É um ankh. É um símbolo da vida e do seu ciclo. Um símbolo da ressurreição dos mortos. Ele te trará de volta. - Boa noite, sonhador. – ela disse. Pegou as instruções com meus ajudantes, me deu um beijo e foi-se através do espelho. Eu chorei. Mefistófeles, numa forma humana, aproxima-se do embriagado Oz num bar de Hell City e entrega-lhe o cartão que Cora pediu para que ele o fizesse. - Aqui. Ele vai entrar em sua mente e retirar de lá o que você precisa. Mabi, incorporada na princesa vestida de branco de História Sem Fim, disse a Oz que seu mundo seria engolido pelo Nada antes que ele sumisse. Cora não chegou a tempo para interferir. Ela também não conseguiu chegar antes que Mabi se passasse pela versão criança da Princesa e pedir para que ele a amasse quando Oz se deparou com suas dezenas de cópias com defeito. Ma conseguiu puxá-lo do meio de suas cópias e tirá-lo dali a tempo! - Vem roqueiro maluquinho! Hora de começar sua última saga... Mais tarde ele tentou saber quem era aquela garotinha branquela, mas ela sabia que não poderia dizer. - Como você sabe que esses pensamentos insanos estão apenas começando? E como leu meus pensamentos? - Ah, isso não importa. Não agora. E eu não te salvei. Só você pode se salvar. - Você sabe de muitas coisas. - Sei que você tem que aprender a fazer o que quer e ser dono de sua vida. Senão você irá se sentir morto e você pode se recuperar, ressuscitar. Mas não o tempo todo. Você não é eterno como eu! E eu ainda vou te tirar de uma fria de novo! – e empurrou ele por uma das portas do corredor onde estavam. Ela o salvou de novo, só que ele achou que ela fosse a Morte, outro personagem da ficção. - Que irônico. Salvo pela Morte. Ela nada disse sobre isso. Somente o que os palhaços pediram que ela dissesse. - Você ficou muito tempo esperando que você aparecesse que esqueceu quem era você! Depois o levou para ver a possível versão mais velha dele sabendo que aquele velho era Mabi. Limitou-se a fazer o que tinha que fazer e dizer ao perdido Oz que somente o presente existia e que ele tinha que parar de perder tempo procurando a si mesmo. E sumiu. Cora agora estava num hotel escrevendo num espelho: “Aplicai os vossos corações aos vossos caminhos”. Depois ela já estava presente numa das 9 ressurreições do jovem mago de sonhos. Reconheceu Mabi na pele de uma estranha e sedutora dona de um apartamento simples num bairro afastado, mas nada fez. Cumpriu seu papel colocando o perdido Flávio na frente do Espelho que Pedrolino havia lhe dado para que Oz despertasse e deixou-se ser morta por Lúcifer e seus demônios. Chorou, depois, quando soube que a morte de Mefistófeles não havia sido uma ilusão, pois o anjo havia sido atravessado pelo cedro do Rei dos Demônios, mesmo fingindo ser seu irmão Aladiah. Ela teve que usar o ankh do mago quando o encontrou num de seus sonhos, num apartamento que ele tirou de uma revista em quadrinhos. - Você não é o Tim. – ela disse. E também disse: - Enquanto continuar tentando se encaixar numa vida que não é a sua, vai continuar passando por isso... Cora estava no quarto quando Flávio acordou de sonhos intranqüilos achando que havia se tornado uma barata. Ela não soube na hora porque estava ali. Não havia nada para ela fazer ou dizer naquele momento. Depois, percebeu que ele sabia o que ela estava sentindo e decidiu compartilhar algo muito pessoal com ela. Ela também pode assistir quando F. foi processado por não ser feliz e ameaçado a ficar confinado numa vida cheia de angústia. Também estava no pequeno e velho cinema assistindo o mesmo filme que F. teve que ver. Foi quando ela descobriu que a sua morte o mudaria para sempre. Mas ela continuou fazendo o que havia prometido e lá estava em outro lugar: - E às vezes chora por estar perdido e sozinho? – ela disse. – Sonhos só se tornam cinzas se você deixar que os queimem. Ou se você os queimá-los. Ela estava numa loja, ele olhando um cartaz com a capa do primeiro disco do Black Sabbath, com a mulher vestida de preto na capa. Cora achou que ele a havia reconhecido, mas não era isso. Ela sabia o que era. E pensou por um momento se não deveria aproveitar aquele momento para tirar aquele aperto do coração! Mas ele já havia partido, correndo atrás do velho com o livro “O Homem de Plástico” na mão. Obra de Mabi. Ela o encontrou novamente numa espécie de clínica psiquiátrica. Ele tentou falar com ela sobre o que havia sentido desde que a viu da outra vez, mas ela desconversou. - Me sinto estranho quando você está perto... - Precisa ser você mesmo. Prefiro assim. Tente ouvir a si mesmo, pensar no que você mais gosta de fazer e no que você mais teme. - Por que você perde tempo comigo? Ela deu uma resposta evasiva antes de sumir de novo. Chorou por um bom tempo antes de entregar os espelhos para as cinco idades de Oz quando eles se reuniram para que Mordenkai os matassem (ou achasse que o teria feito). Ela já não estava mais empolgada com a idéia de ajudar o mago quando ele a chamou novamente de Morte. - É só uma palavra... Levante-se. É hora do fim. Cora não teve tempo de se despedir ou mesmo de ver Oz na caverna de Hades. Estava no cemitério das Trevas, lugar por onde chega e de onde parte. A boneca de pano estava lá, sobre seu túmulo. Estava sangrando. Então veio a luz e ela sabia. Estava partindo da terra dos mortos. Acordou na cama de um hospital, com a mãe aflita ao seu lado, perguntando por que ela fazia aquilo? Ela não se lembrava mais de quem era. Estava viva. A garota que um dia foi Cora conseguiu viver por algum tempo, mas aos poucos os motivos que a levaram a querer morrer voltaram a assombrá-la e, num dia chuvoso, dentro de seu quarto, ela puxou a Caixa de Coisas Mortas debaixo da cama, pôs no colo e a abriu, sentindo a brisa que a chamava. Chorou por cada coisa que estava lá dentro, por cada lembrança ou sentimento que elas traziam e então tirou a boneca de pano, já bem esfarrapada desde os tempos de adolescente. Foi no banheiro, abriu o armário e pegou alguns remédios. Tomou todos. Deitou-se e dormiu. Acordou sobre seu túmulo gelado no cemitério de Hades. Levantou a cabeça. - Oi. – disse a boneca, que estava do outro lado, sentada sobre uma das lápides de Oz. Por que você faz isso? Pelo Hades? Pelo garoto? Isso é amor? – perguntou a boneca. Cora riu. - De que adianta filosofia aos mortos? – ela disse. – Vamos, preciso do medalhão de Damien para voltar ao Limbo. ---
postado por Oz (The Dead) às 01:56
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.delirium Capítulo 3: Opium O rapaz caminhava inquieto pelos corredores daquele enorme e estranho palácio, enquanto o homem com roupas de pierrô ao seu lado não conseguia conter-se. - Veja, por trás dessas portas está a Grande Sala da Criação! E descendo as escadas das Ilusões, encontrará o Arlequim, outro servo. Não gosto dele, sabe? Muito prepotente! Um estorvo entre eu e meu amor. Mas isso não lhe interessa, não é milorde? Olhe! O Salão das memórias! Onde estão guardados seus pertences: a pedra, o espelho, a espada, as cinzas do coração do Dragão Negro, a essência de Zo... Além dos Livros de Oz. Sabe? Aqueles... – disse com uma cara mais séria. - Não, não sei. Que livros? Do Mágico de Oz? O pierrô riu inocentemente e escandalosamente. - Desculpe-me, mestre. Não pude me conter! Sempre me esqueço de suas brincadeiras... De qualquer forma, não poderemos ir até lá mesmo, porque teríamos que passar pelo... Mas antes que completasse a frase, o rapaz já havia aberto a enorme porta e entrado. - Senhor! Não! Volte! – disse o servo, correndo atrás de seu desmemoriado criador. O rapaz estava parado, talvez com dúvidas, talvez com medo, diante do corredor. Era soturno e frio, com uma enorme porta vermelha do outro lado e com suas duas paredes preenchidas por dez espelhos, cinco de cada lado. - O que são esses espelhos, Pedrolino? – perguntou. - São as janelas de suas Dez Vidas. – respondeu, não muito animado. - E... Como sei qual é a minha? - Saberá. É só seguir para algum deles. Um deles o atrairá, e então... O rapaz caminhou diretamente para o terceiro espelho à sua direita. - Então o quê? - Então se lembrará... – disse o pierrô, com cara triste. O rapaz se aproximou do espelho e deu uma olhada em si mesmo. Parecia distorcido. - Porque essa cara triste? Não é bom que eu me lembre de quem sou e de como cheguei aqui? Além do mais, este espelho está desfocado... Mas o rapaz interrompeu a frase ao perceber que o foco parecia mudar e então sentiu algo, como uma longa e pesada punhalada em sua cabeça. Ficou parado por um tempo e então se afastou, caiu no chão e começou a chorar. - Eu me lembro agora! Cora entrou nos aposentos de Hades determinada, seguida pelo anjo negro da morte Mefitófeles. Carregava em uma das mãos o pequeno palácio esmeralda. - Hades! Pode me dizer como isso veio parar aqui? Onde está o Chapeleiro? Quero falar com ele! Oz precisa de... - Você? – cortou-lhe o senhor das Trevas. - ...Ajuda. – disse Cora. - Sabe quantos milênios de existência eu tenho, minha querida? Não me insulte! Tragam o Chapeleiro! – ordenou para um ser com formas de Gárgula. – Fique sabendo você, meu amor, que será impossível realizar o desejo que forma-se em seu interior. E não é somente porque você é minha, Atégina. Ele escolherá seu fim, como parte do acordo com a Trindade. - Me deixe fora das armações entre você e seus irmãos, Hades. E eu não passaria meus Invernos aqui não fosse aquela fruta maldita! – enfureceu-se Cora. Hades continuava inabalável. - Eles a comem no Ano Novo pra trazer fortuna, sabia? Ele não é parte de nós, querida. Você sabe disso. O Chapeleiro é trazido. - Diga, Chapeleiro, quem lhe entregou este artefato. – disse a garota, estendendo-lhe os braços a segurar o mini-palácio. – Como pode um ser irreal de contos de fadas morrer e vir ao mundo de meu senhor com tal artefato que nem faz parte de sua história? O Chapeleiro tentou-se manter-se de pé. Parecia bêbado e delirante. - Ora, ora! Se não é a Lady Onix! Prazer! Prazer! – e curvou-se tirando o chapéu e voltando à sua postura original. – Foi Ela! Ela me fez parte da realidade do Perdido e me assassinou! Chá envenenado! E nem era com leite e limão! Que cortem minha cabeça! – gritou. – E sangue! Muito sangue! Tudo escuro, preto. Vermelho! Longas cortinas vermelhas! Chá de Lírio! Cogumelos! Hum... E quando o Corvo me pegou, o Anjo me deu esse brinquedo. Tentei barganhar com a ave em troca da resposta de meu problema matemático, mas ela me largou num barco cheio de gente morta! Bebemos muito no caminho, isso sim! Eram cinco horas, sabe? – e caiu no chão, exaurido. - De quem ele está falando? – perguntou o anjo Mefistófeles. - Eu não dei nada a ele! - Não foi você. – disse Hades, virando-se para a janela de onde avistava um dos lados de seu obscuro reino. - Ele está falando de seus irmãos? – perguntou Cora. - Sim. – disse Hades, com certo pesar na voz. – Ele está falando de Lúcifer e Mabi, o Anjo caído e a Rainha das Nixies. - O Mal e a Ilusão. – refletiu a princesa das Trevas. – Me pergunto se o Escuro também não está por trás disto? Mas Hades não respondeu. Ficou apenas olhando para o horizonte eternamente noturno, em silêncio. O pierrô levou o rapaz em prantos de volta para a Biblioteca, de onde ele havia sido trazido. - Desculpe-me novamente. Eu me esqueci de sua ordem para que nenhum de vocês fosse levado ao Mirante. Talvez você não saiba, mas não poderá ficar mais aqui depois disso. – disse o servo. - Triste. Eu me sentia tão triste. Queria morrer... - É, eu sei. E morreu. – Pedrolino puxou um dos livros da estante. - Mas, eu... eu não lembro de ter me suicidado... Só de um desejo muito grande de não existir mais. – e continuou em prantos. - Você não se suicidou. Só quis morrer e morreu. É complicado! Só o senhor pode explicar melhor ao senhor mesmo! Ouça. Vou contar uma história e tudo ficará bem. – disse, abrindo o livro em mãos. - Pedrolino... Charles! Não sei se é uma boa hora... Que livros são esses? - São todos seus! Agora escute... “Um homem grita de um dos quartos de um hospital psiquiátrico. A enfermeira chama por um médico no autofalante...” Ouve-se ao fundo o som de uma música da banda Queenrÿche e uma espécie de energia sai do livro nas mãos do pierrô e vai em direção ao rapaz. Ele sente-se sonolento e pisca. Mas ao abrir os olhos não está mais no palácio. Cora percebeu a estranha energia e o sumiço do rapaz no interior do mini-castelo enquanto rondava de um canto a outro de seu quarto nas Trevas e então tomou uma decisão. - Mefis, nós temos que ir! - Mas, milady... – assustou-se o anjo da morte. - Eu não deixarei que o Mal ou a Ilusão o aprisionem! Vamos até os dez, até encontrar o Oz consciente! – e tirou um medalhão vermelho do meio de algumas roupas. - O medalhão de Mordenkai! Mas como? – espantou-se o anjo negro. - Isso não é certo! Você tem sua história... – tentou intervir sua boneca de pano. - Veremos! E então, após algumas palavras inteligíveis, o medalhão começou a brilhar e logo os três haviam se transformado em pó e desaparecido. No Inferno, Damien parece caminhar com dificuldades diante de seu pai. - Ainda assim, filho? Eu lhe avisei que quem brinca com gatos acaba arranhado. – disse o homem de aparência inebriante e sinistra, sentado numa espécie de trono feito de serpentes e ossos, com seus negros cabelos compridos e um olhar fumegante. - Eu perderia a chance de você ficar me zombando, pai? Não se preocupe, de agora em diante gatos são meus inimigos, com pena de morte quando na minha presença! Vim para informa-lhe que o medalhão de Mordenkai apareceu em minhas mãos. Quer dizer que foi usado. Sabemos por quem. - Eu já sabia. Agora é deixar nas mãos de minha querida irmã. Todos estão se intoxicando pelo nosso ópio e logo estarão adormecidos e debilitados! O rapaz estava num hospital. Piscou e viu-se numa espécie de culto de alguma ordem secreta. Piscou novamente, incrédulo, e então estava num bar. Um velho conversava com um homem sobre televisão, telefone e ruivas. O homem foi embora e o velho aproximou-se do rapaz. Era calvo e usava óculos. Parecia-se com ele mesmo, só que mais velho. - Já leu “O Homem de Vidro”? – disse o velho, levantando um livro no ar e mostrando ao rapaz. Mas antes que ele pudesse dizer alguma coisa, piscou novamente foi parar numa espécie de vilarejo japonês, decadente e meio destruído. Sentiu o corpo adormecido e percebeu que estava no ar, em fila com um garoto, um homem de meia-idade, um jovem e um velho. Os cincos haviam sido atravessados por uma lança, empunhada por um demônio. Os cinco caíram mortos no chão, queimaram e viraram cinzas. Acordei deitado num reluzente gramado de um verde quase irreal. Estava no alto de uma montanha. Levantei-me e não conseguia me lembrar de nada. Nem de quem eu era. Fui mais adiante para descobrir onde estava e logo minha mente foi atormentada por visões extremamente irreais para mim. A paisagem quase campestre e antiga estava permeada por uma estranha cidade ao longe (parecia uma cidade de contos de fadas), além de enormes gatos alados no ar e estranhos seres lá embaixo, próximos a uma espécie de lago com uma ilhota e uma estranha pedra fincada nela. Senti-me entorpecido e logo constatei que deveria estar sonhando. - Um sonho. – resmunguei para mim mesmo. - Tem certeza disso? – ouvi atrás de mim. Virei para ver quem era e vi uma garota magra, extremamente pálida, com cabelos acima dos ombros e roupa preta. Ela estava encostada numa enorme pedra fincada no chão, parecida com àquela lá embaixo, na ilhota. - Olá, Oz. Você não se lembra de mim, eu nome é Cora – ela disse – Agora só falta acordar a loirinha dos delírios pra acabar com essa história! *muito grande, eu sei. fazer o q... rs :)
postado por Oz (The Dead) às 18:06
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.delirium Capítulo 2: Nemo A chuva. Sempre incessante. Caminhou pela lama negra e nem ligou muito para os uivos gélidos que o vento fazia naquele morro mórbido. Estava com uma roupa antiga, uma espécie de fraque do século XIX. Achou normal. Chegou ao topo do morro dos ventos uivantes e agonizantes. Havia alguém lá à sua espera. Uma garota, em belos e elegantes trajes negros e sombrios, tanto quando inebriantes. Aproximou-se. Viu seu longo cabelo negro dançar ao vento quando ela se virou. O nome Perséfone lhe veio à mente, não soube porque e então, a beijou. E um frio logo tomou conta de sua espinha. - Ei! Acorde! Abriu os olhos. Uma espécie de fada com um copo na mão. Outras fadas em volta. Alguns porcos sobre suas patas traseiras e alguns robôs também. Havia sonhado e voltado à estranha festa em sua casa. - Carinha, você me deu um baita susto! Tipo, achei que você tinha tido um colapso, sabe? Essas coisas que acontecem com pessoas reais na vida real. – disse a fada com a mão no peito antes de dar um gole no copo. – Cara, esse hidromel tá muito dez! - Eu, eu não... Não entendo. Se eu estava sonhando, isso é o que? Não é a realidade! - Ah, não! Claro que não! O que poderia ser? – disse a fada com uma das mãos estendida para o alto e olhando para cima. O rapaz, perplexo, correu de volta para seu quarto e trancou a porta, achando-se seguro lá dentro. Mas percebeu que alguém discutia. Virou-se e espantou-se ao ver a si mesmo criança discutindo com outras versões idênticas sobre quem seria o dominante, enquanto uma menina tentava conseguir atenção de qualquer um deles. Toda aquela maluquice parecia bem real e o rapaz não sabia mesmo o que fazer. Encostou-se numa porta de vidro que havia numa estante atrás de si. Ouviu alguém batendo do lado de dentro da estante. Virou-se para a porta de vidro. Parecia um gato branco, com uma espécie de medalha japonesa no pescoço. Estava acenando para que ele o seguisse. Sem compreender nada, o rapaz abriu a porta de vidro e quando deu por si, já estava lá dentro, num corredor escuro com uma pequena luz distante. Caminhou até conseguir sair do corredor e surpreendeu-se ao ver que havia saído de trás de uma enorme rocha em pé, fincada numa pequena ilhota e com escritos de uma língua desconhecida. Era dia, o mar estava calmo e uma pequena ponte de corda ligava a ilhota ao continente. Do outro lado, estava outro dele mesmo, agora ligeiramente mais novo, contemplando os céus. O rapaz se pôs a correr para alcançar a si mesmo, mas deixou que seu outro eu escapasse, quando ele fez surgir do nada um espelho e o atravessou, fazendo-o sumir em seguida. - Esse lugar não é maravilhoso? O rapaz virou-se e lá estava ela, a garota loira de longo vestido branco. - Takamagahara, o lugar mais lindo do Limbo! Tão bonito e colorido! Lembra o cenário de desenhos japoneses. Deve ter de dado um trabalhão para construí-lo. - Você de novo? Quem é você? – indagou o rapaz. Ela riu com vigor. - Você não sabe mesmo? Isso vai ser mais divertido do que eu esperava! - Você não é de toda estranha. Acho que já a vi em alguns sonhos... Nos mais malucos e reais, para falar a verdade. Mas... Uma estranha carruagem puxada por cavalos alados de asas coloridas e conduzidas por um porco bem vestido pousaram próximo deles e a garota foi entrando nela. - O mais interessante – disse ela – é que sempre que lhe nos vemos, você está perdido perdidinho, e isso é muito bom pra mim, hehe. Todos vocês são assim! Mas como vocês estão ficando raros, acho que perdi o costume. Vejo você do outro lado Oz, meu pequeno Nemo! – disse ela, dando sinal para que o porco conduzisse a carruagem para os céus. – A propósito – disse, antes de partir – meu nome é Mabi, mas isso não faz a menor diferença! Hahaha. O rapaz ainda teve tempo de ver a carruagem se distanciando em direção a um enorme palácio oriental, no topo de uma montanha distante. Logo em seguida, começou a ventar. Ventar muito, muito mesmo. Olhou para cima e viu um enorme redemoinho se abrindo nos céus. Ouviu alguém rindo. Parecia feliz. Então, foi puxado no ar direto para dentro do redemoinho, com uma força que quase o nocauteou. Girou, girou e ficou tão tonto que quase desmaiou, até que sentiu bater numa espécie de chão. Olhou em volta. Era uma biblioteca muito antiga de um palácio de vidro. À sua frente, um homem estranho, vestido com uma roupa preta e branca similar a de um palhaço, dava pulos de alegria. - Mestre! Mestre! – gritava ele – Há-há! Finalmente está aqui! A neve teimava em cair e os céus esbravejavam em nome de Hades, seu senhor. Cora segurava uma corda com sete corvos amarrados nelas. Queria partir, não queria mais ficar ali. Queria voltar a viver novamente. Mas alguma coisa a estava prendendo à Terra Sem Luz e os corvos foram sem ela. Ajoelhou-se na neve e quis chorar, mas não havia choro do Outro Lado. Levantou-se e caminhou por entre as lápides do cemitério por onde veio e de onde volta. Olhou para o horizonte sombrio. - Ah, como eu gostaria de sonhar novamente. – murmurou para si mesma. O rapaz tentava recompor-se enquanto o palhaço estranho o enchia de perguntas. - Diga mestre, qual vida é essa? A primeira? Última? Já passou pelos 10 Dias? E o demônio, já o enfrentou? E o irmão dele? O Escuro? A Mãe das Nixies? E Ela? – fez uma pausa e se aproximou – Já encontrou Ela? Sabe, quando o senhor me contou sobre Ela, me serviu de inspiração para continuar em busca de minha amada Colombina! Um dia... - Peraí! Nunca vi você antes, mas sei quem você é! – interrompeu o rapaz. - Pedrolino, ao seu dispor! Mas o senhor gosta de me chamar de Charles. E pelo visto, eu trouxe uma versão um tanto quanto perdida do senhor. – desanimou-se o homem. - Se você pudesse me ajudar a entender o que está acontecendo comigo... Eu já morri algumas vezes, tive sonhos malucos, me chamam por um nome que não sei o que quer dizer... Queria só ir para casa... - Hum... Você e a Dorothy. Mas posso dizer, seguramente, que o senhor está em casa! – disse, abrindo os braços e mostrando o interior do palácio. – Talvez ache suas respostas aqui, sem precisar ir a outro lugar. Afinal, “quem procura alguém, deve sempre ir em busca dessa pessoa, mas quando procuramos a nós mesmos, não vamos a lugar algum”! Cora voltara para seu quarto nos domínios de Hades, quando ouviu Mesfistófeles se aproximando. - Gostaria de ficar com meus pensamentos, Mefis. – ela disse. - Perdão, milady. Mas há algo que achei que gostaria de ver. Ela virou-se. O anjo de estranhas asas negras estendeu a mão e mostrou-lhe uma curiosa peça. Era um palácio em miniatura. Era ao mesmo tempo lindo e estranho. Parecia feito de vidro verde. - Bonito. – ela disse, sem interesse. – Mas não vejo por que... - Desculpe-me, alteza. Talvez fosse melhor olhar mais de perto. Ela aproximou-se ainda mais e percebeu que a peça era de uma qualidade excepcional de detalhes. Havia algo de mágico nela, como se realmente fosse um palácio diminuto. Então viu uma pequena luz e, ao olhar com mais cuidado, espantou-se ao perceber, lá dentro, numa espécie de sala com livros ainda mais minúsculos e detalhados, um pequeno homenzinho vestido com uma roupa engraçada e um jovem rapaz. Estavam conversando entre si. - Eu encontrei isso entre um dos recém chegados às Profundezas Pós-Vida de nosso amo Hades. Ele me chamou atenção e vi a peça caindo de suas mãos. Cora tentou conter seu entusiasmo. - Ele balbuciava algo sobre corvos e escrivaninhas e suas vestes o assemelhavam muito a um antigo chapeleiro.
postado por Oz (The Dead) às 20:11
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.delirium Cápitulo 1: Erased A chuva teimava em cair, quando o pobre rapaz entrou pela porta com ar deprimido e com enorme vontade de cair em lágrimas. Trancou-se no quarto e olhou-se no espelho. Estava com raiva de si mesmo. Olhou pela janela. A chuva. A vida. Sentiu vontade de morrer, mas não tinha coragem suficiente para isso. Fez o que sabia fazer, caminhou até o fundo do quarto e sentou-se numa cadeira. Ficou lá, parado, olhando tudo que o cercava, como já havia feito antes, no futuro. O tempo passou, a noite podia ser vista caindo pela janela, junto com a incessante chuva. O rapaz ficou lá, olhando para tudo à sua volta, até que conseguisse olhar para dentro de si mesmo. Não suportou, morreu. Uma túnica negra usada por formas femininas caminhava pelas areias escurecidas das Trevas. Parecia procurar por algo. Passou por entre as cruzes e apanhou uma foice que estava jogada no chão. Sentou-se num dos túmulos e esperou. O homem com roupas quadriculadas em preto e branco e maquiagem de palhaço andava de modo apressado pelo salão, resmungando, indo até às prateleiras, pegando coisas, resmungando, colocando-as numa espécie de mesa no centro do salão e resmungando. Parou. Havia na mesa: um livro, um medalhão e um bastão com um “ankh” na ponta. - Vamos, vamos! – resmungou. – Não é por que não existe tempo aqui que você vai me deixar esperando! Venha mestre! Preciso de você! Agora! – parou por um segundo – Ah! Quase me esqueço! – disse, apontando o indicador para cima. Foi até outra prateleira e pegou uma esfera de vidro. Olhou com ar zombeteiro para as coisas e para a esfera e em seguida a jogou para o alto e a deixou espatifar-se contra a mesa, em muitos cacos de vidro. - Ah, agora sim! Ah, se ela pudesse me ver agora! Hi hi! – disse, batendo palmas. De repente, os cacos de vidro começaram a brilhar e juntaram-se no ar da mesma forma como se espalharam, como se um filme estivesse sendo rodado ao contrário. Ao juntar todos os cacos, a esfera reconstituída brilhou como nunca. O homem com maquiagem de palhaço e roupa quadriculada dava pulinhos de alegria. O rapaz acordou. Sentiu frio. Estava deitado num chão de terra com as mãos sobre o peito. Levantou-se. Era um cemitério em meio à neblina e a escuridão, rompida somente pela enorme lua no céu. Viu a silhueta de uma garota com uma túnica e uma foice. Teve medo. - M-morte? – gaguejou. Ela virou-se. Era Cora, a companheira de Hades, o senhor das Trevas e dos mortos. Ela riu. - Haha. Não, bobo! Sou eu! Ah, você não me reconhece, não é? Tudo bem... Não temos muito tempo e eu nem deveria estar aqui, mas preciso lhe dizer algo antes que você seja levado. - Eu, eu... Levado por quem? Eu morri? - Pela terceira vez. Nos conhecemos desde a primeira. Agora escute... Ouviram um grunhido e avistaram um enorme pássaro negro se aproximando. - Droga! O Corvo! Agora escute... Mas antes que o rapaz pudesse por as idéias em ordem para ouvir o que Cora tinha a dizer, o enorme corpo o pegou com suas finas patas e o suspendeu no ar. - Lembre-se: nada é o que parecer ser, mas ao mesmo tempo é! Quando vir um espelho... – gritou Cora lá debaixo, mas o rapaz já estava longe e extremamente assustado. - Me... Me põe no chão! – gritou em desespero. Para seu espanto, pode ouvir a resposta da ave: - Quando chegar ao Poço, eu o soltarei, Oz. - O quê? Um corvo gigante que fala? Que sonho maluco é esse? - Você morreu. Não morreu? É para cá que vem toda vez que morre e para cada vez há uma instrução dada por você mesmo. Eu estou encarregado da terceira. - O quê? Peraí? – tentou pensar o rapaz. – Eu mesmo criei essas situações malucas para cada vez que eu morresse? Que absurdo! Porque não me lembro de nada disso... E até onde sei, só se morre uma vez! - Você não se lembra porque escolheu não lembrar. Seu passado e futuro são apagados toda vez que passa para esse lado. Só existe o presente! E quanto a morrer várias vezes? Creio que muitos escritores têm boas idéias quanto a isso! Eu pessoalmente gosto da idéia tralfamadoriana. - O quê? Hein? Eu... - Tempo esgotado, Oz. Lá está o Poço. O rapaz deu uma olhada corajosa para baixo e viu um enorme e aparentemente bem fundo fosso no solo. - Meu nome não é... - Mande um “oi” para Ela por mim, ok? – disse o Corvo, já largando o rapaz para despencar dos céus e cair direto dentro do escuro poço. O rapaz caiu e caiu no breu, até perder os sentidos. Despertou. Estava de volta à cadeira em seu quarto. A chuva havia cessado. Uma luz forte de um sol brilhante e cinematográfico teimava em invadir seu ambiente lúgubre e deprimente. Havia uma garota loira vestindo um longo vestido branco à sua frente. Ele levantou-se. - Aqui estamos nós de novo. – disse ela e em seguida caminhou para a porta. – Hora de brincar. Abriu a porta, saiu e a fechou. Antes de tentar entender o que uma garota estava fazendo em seu quarto depois de um sonho estranho, ele foi até a porta e a abriu. Tinha fadas usando botas, porcos e robôs fazendo uma pequena festa na sala. Estavam dançando ao som da música que saía do aparelho de som. Uma das fadas se aproximou. - Sabe o que eu gosto nessas festas? – ela disse – É que podemos curti-las como se não houvesse passado ou futuro. Tudo apagado de nossas vidas. Só existe o presente! O rapaz parecia bem perdido. A fada pareceu não entender a perplexidade dele, mas então deu um sorriso, como alguém que se lembra de algo. - Você é o Oz, não é? :)
postado por Oz (The Dead) às 19:05
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O POETA MORTO Cápítulo 3 - Triumph Of Death Uma gata preta parecia majestosa sentada ao lado do enorme trono de mármore negro, envolto numa espécie de névoa sombria. Sentado no trono, acariciando sua gata, estava Hades, o senhor do submundo, do mundo dos mortos, das Trevas. Cora entrou no salão acompanhado de Mifistófeles, o anjo da morte pessoal de Hades. - Olá, Ad. - disse a pequena suicida, agarrando-se ainda mais à sua boneca de pano. - Bem-vinda de volta, Cora. - respondeu o senhor da escuridão, numa voz soturna e grave como só Hades teria. - Senti sua falta. - E como sempre, foi me buscar com sua escuridão. Me sequestrar da vida, como sempre faz! - É a nossa sina, querida. Desde quando você ainda era Perséfone! Desde muito antes de seu pequeno mago ser apenas uma idéia. Cora percebeu um sentimento quase humano no senhor das Trevas. - Ou acha que não sei que você estava tentando ajudar o pobre falecido? - completou Hades. - Foi uma coincidência, querido. Ele apareceu lá, perdido. É o primeiro ainda. - ela se explicou. - E outros virão. E passarão por aqui, como todos os semi-mortos. Espero que você respeite o amor que tenho por você. - Querido, você está dando mais crédito para ele do que ele realmente tem! Aliás, se você disse que todos eles passarão por aqui e eu sei que esse provavelmente é o motivo pelo qual o encontrei sob sua sepultura, porque ele está no Inferno? Hades pôs a gata no colo e a acariciou. Ficou ainda mais sério. - Porque o demônio chegou lá primeiro, antes de Mefistófeles. Porque seu tio, o anjo caído, ainda acha que tem tanta importância quanto seu Pai para me desrespeitar. E isso com certeza trará intervenção da Terceira. Mas até lá, eu já tenho meus planos. E olhou para os olhos da gata e a soltou no chão. A gata preta como as Trevas saiu em disparada e sumiu na escuridão das sombras do salão. - Usar a May não lhe trará mais atrito com a Estrela-da-manhã? - perguntou Cora. - Lúcifer escolheu seu caminho. - virou-se para o anjo sombrio atrás de Cora - Mefis, vá com Mayhem! - Sim, senhor. - respondeu o anjo da morte, voando logo em seguida e desaparecendo em outra sombra. Damien divertia-se em seus aposentos com as almas de duas garotas e um rapaz, além de sua preferida com cabeça de gato. Mordenkai estava sentado no saguão, à espera do que já sabia que viria e levantou-se de súbito. Sabia que já era a hora. Lá em cima, o filho do acusador tentava atingir o êxtase e nem percebeu a gata preta sentada em frente à cama, observando tudo. O rapaz a quem chamavam de Oz continuava inebriado com os deleites de Isabel, aquela que já foi chamada de vampira, que o excitava e preparava-se para lhe dar prazer e extinção. Ele estava totalmente perdido, não sabia quem era e o que estava fazendo ali. Toda aquela história parecia muito confusa e uma sensação ruim anti-divina tomou sua mente, mas sabia que não conseguia controlar sua mente sem antes sair daquele transe. Estava completamente hipnotizado pela beleza de Isabel e pelo cheiro de sexo que permeava o ambiente. Sentia certa culpa, não sabia porque, mas também não conseguia abrir mão daquilo. Nem o apreço dela por sangue parecia incomodá-lo. Então, ela se deitou sobre ele. Ele explorou todo seu corpo com os olhos e as pontas dos dedos. Sentiu seus seios e então viu que apenas uma coisa a vestia: uma espécie de colar. Era uma espécie de crucifixo com um círculo. Uma cruz cóptica. Era um ankh. - O... O que... O que é isso? - perguntou com dificuldade. - Um símbolo de vida eterna. - respondeu ela. - Para que eu sempre continue jovem, apesar de minha idade. Ela o acariciou entre as pernas e mostrou seus dentes de morcego. Ele foi impelido não se sabe porque a pegar o colar com uma das mãos. Sentiu algo ao tocá-lo. - Não. - respondeu, para espanto dela. - Não é um símbolo de vida eterna. É um símbolo da vida e de seu ciclo. Um símbolo de ressureição dos mortos. E então ele se lembrou. Mefistófeles pousou em frente a Mordenkai e ambos ficaram um tempo em silêncio, que foi quebrado pelo demônio. - Você sabe que não termina aqui, anjo. - Nunca termina, demônio. - respondeu o anjo da morte. O demônio retirou de suas vestes um pequeno amuleto alaranjado e ornamentado com víboras e uma cabeça de dragão escarlate. - Não sei se conseguirá fugir dele usando a herança que seu irmão deixou. E sabe que ele poderá parar em mãos erradas. - disse Mefistófeles. - Ele não é o Criador. Vai ter trabalho em me achar. E quanto ao medalhão, ele estará com um de meus servos terrestres, até que Agat viva novamente. É o ciclo. - É, é o ciclo eterno. Então um forte e vermelho brilho surgiu do medalhão e quase cegou o anjo, fazendo desaparer o demônio. Mefitófeles limitou-se ao presente. - Bom, onde está Mayhem pra levarmos a alma do pequeno Oz? Damien sentiu o deslocamento de Mordenkai e isso interrompeu seu ato de luxúria. A mulher nua com cabeça de gato também sentiu uma presença e virou-se para o pé da cama. Viu Mayhem, a gata preta de Hades. Seus olhos ardiam. Bastet, a mulher-gato, sabia o que tinha que fazer. Ela mudou sua expressão para a de uma gata mais do que arisca e armou suas enormes unhas para um golpe nada amistoso. Damien percebeu que algo estava errado, mas não teve tempo de reagir, antes de Bastet cravar suas unhas enormes em suas partes íntimas, fazendo jorrar sangue para todo lado e tirando do filho de Lúcifer um grito de dor misturado a êxtase que fez tremer aquele peadaço do Inferno. Isabel foi jogada para trás pelo rapaz falecido, que ficou com seu ankh nas mãos e enquanto sua mente se recolocava no lugar e lhe trazia a memória de quem ele era. De repente, a cruz cóptica incinerou-se em suas mãos e o próprio rapaz começou a queimar até virar apenas fogo. Queimou, gritou e acordou. Estava num quarto simples de uma casa que seus pais haviam alugado. Acordou se súbito, como quem recupera o ar. Olhou em volta, viu alguns brinquedos velhos, e um estranho homem de cabelos compridos de pé no canto do quarto, bem mal iluminado pela pouca luz da lua que entrava pela janela. Ele dava pequenos risinhos sinistros. - Ainda pego você, mago. - ouviu ele dizer. Tentou se mexer, mas parecia preso, imobilizado. Sentiu algo lhe puxando para trás, para muito além da cama. Tudo ficou escuro novamente. Sentiu frio. Sentiu-se como uma brisa. Não tinha corpo. Era mais como uma consciência, vagando pelo ar. Mas de alguma forma, viu o anjo da morte apresentando-se a Hades e Cora, que agora estava abraçada ao enorme, velho e sinistro senhor das Trevas. Mayhem, a gata preta, também estava lá. Mefistófeles parecia trazer algo em suas mãos, uma espécie de recipiente. Abriu. Havia cinzas dentro. - Sei que está aqui, Oz. - disse Hades para o nada. - Sei que sua consciência está aqui. Você me deve essa, e cobrarei-lhe quando for a hora de encontrar-se com o Escuro novamente. Seu pássaro já está vindo. Essa sua primeira morte foi rápida, mas suficiente para estabelecer certos vínculos. Espero que possamos nos falar mais da próxima vez. - Será em breve. - sussurou o vento. - Eu sei. Cora ainda estará aqui. - Hades olhou para seu amor suicida, que parecia um pouco chateada com tudo aquilo. - Darei a você um livro da próxima vez. Mas por hora, tudo que posso dizer é boa sorte com o que está por vir. - O que pode ser pior que o Inferno? - sussurrou novamente o vento. Hades riu. - O que mais, senão a loucura, pequeno mago? A Ilusão pode ser bem mais desesperadora que uma eternidade no Inferno ou nas Trevas. - Então farei os alicerces de meu Mundo nela. - sussurrou a consciência. O som de poderosas asas foi ouvido e por uma das janelas do salão sombrio, entrou uma enorme ave de tons dourados e roxeados. Ela pegou o recipiente das mãos do anjo da morte e levou consigo. Oz sentiu sua consciência ser levada junto. - Leve-o, Benu. - disse para si mesmo Cora, com olhar triste. - Leve-o para que ele possa voltar. Assim, a ave levou as cinzas e a consciência daquele a quem chamavam de Oz para o alto de uma montanha estreita como um obelisco. Lá em cima, uma pira parecia ter cido feita. Benu depositou ali as cinzas e a consciência do mago falecido e transformou-se em chamas. O rapaz sentiu não só o calor, como também uma espécie de transfiguração, como se sua alma estivesse sendo revigorada. Como se estivesse renascendo. Abriu os olhos devagar em meio as cinzas e foi saindo de si mesmo, até acordar por completo. Estava num quarto simples de solteiro, na parte de cima de um beliche. Levantou-se sem olhar para nada mais, sem preceber nada mais. O mundo à sua volta ainda estava borrado. Caminhou até à janela e olhou para fora. Estava num prédio de apartamentos. Era dia. Chovia lá fora. - Ótimo dia para renascer. - disse. Fim do Tomo I. Continua no Tomo II: "Delirium" ---
postado por Oz (The Dead) às 10:18
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O POETA MORTO Cápitulo 2 – Blood, Fire and Death O cheiro de sexo insistia em sufocar seus pulmões, mas ele tentava se concentrar no que Damien estava lhe dizendo enquanto se sentavam num dos estranhos sofás da enorme sala onde se encontravam agora. Haviam caminhado pouco desde aquela sala cheia de corpos se unindo, até essa espécie de sala de visitas, ricamente decorada e planejada para encher os olhos, não fossem as paredes feitas de carne, ossos e sabe-se lá o que mais.
- Pedi para que Mordenkai lhe trouxesse aqui, meu amigo morto – disse o filho do anjo caído – porque sei que deve estar perdido e quero ajudar-lhe. Cora riu com sarcasmo. - Ajudar? E você ajuda alguém além de si mesmo, primo? Abra o jogo logo de uma vez! A mulher nua com cabeça de gato começou a lamber as partes internas da perna de Damien e correu suas mãos para baixo do roupão, começando a fazer leves movimentos no que parecia ser seu membro sexual, quando um severo olhar do anfitrião lhe fez parar e deitar-se no chão, como um gato entediado. - Depois, Bas. Nossos convidados não estão à vontade. O que é uma pena... Enfim, querida prima. Nosso amigo Oz me ajudou muito enviando Mordenkai depois de seu confronto consigo mesmo nas terras escuras para me auxiliar, como forma de agradecimento pela ajuda que lhe dei nos seus 10 Dias de Agonia. - Por isso mesmo, você nada deve a ele. Algo me diz que tem dedo do seu pai nisso! Damien olhou descontente para Mordenakai. - Por que a trouxe junto? - Hades pediu. - Meu tio tem Mefistófeles para buscar suas almas! Ora! – virou-se com calma para os convidados – Você sabe que nosso Rei quer que ele continue morto. E cada vez que ele morrer, incluindo essa primeira vez, ele tentará prendê-lo aqui. Quem melhor do que eu para fazer isso? - Me prender aqui? No Inferno? Pela eternidade? – assustou-se o visitante. - Não é tão ruim. Você pode ter uma vida bem prazerosa aqui. Como se combinado, entrou pela porta uma garota de aparência bem jovem, mas com belas curvas corporais, vestindo uma insinuante roupa preta e vermelha. Ela tinha cabelos escurecidos mas não totalmente pretos e olhos de serpente. Cora tentou fazer alguma coisa, mas foi impedida por Mordenkai, que a cobriu com seu manto e ambos viraram pó. O rapaz se assustou, mas antes disso a jovem entregou-se a ele e o beijou libidinosamente. - Isabel é grande fã sua e de seu espírito jovem e regenerativo, desde os tempos em que ainda era condessa. – exclamou Damien. Sentiu gosto de sangue no beijo. Fogo. Seu corpo queimou por dentro e ficou dividido sobre interromper aquele ato ou não. O lugar era frio, escuro e vazio. Numa planície rochosa Mefistófeles, o anjo de asas negras, avistava o lugar inóspito, quando uma brisa o rodiou e concentrou-se num canto úmido, levantou poeira e tomou a forma de Mordenaki e Cora. Ela olhou para cima e viu o céu como se fosse um teto rochoso cheio de raízes e cavernas. Reconheceu o lugar. Morte. Estava nas terras escuras e sombrias dos mortos. - Seja bem-vinda de volta, princesa. – proferiu o anjo negro. - Olá, Mefis. Onde ele está? - Cuidando de negócios. Apontou lá para baixo, para uma caverna. - Está lá, a espera de seu novo amigo, o morto. O lado sombrio da alma do rapaz, o Escuro, é o que ele é hoje. Engraçado. Não foi ali perto, nas montanhas, que ele enfrentou a si mesmo e o poupou, Mordenkai? – terminou, interrogando o demônio. - Quem é você para me interrogar, anjo? Um desses pastores? Sim, foi ali mesmo que ele enfrentou a si mesmo, próximo de onde prometi a Agat que o destruiria. - Seu irmão deve ter ficado decepcionado com sua primeira tentativa e seu primeiro fracasso. - Como você mesmo disse, foi só a primeira tentativa. Outras virão... Ele tentava não se deixar seduzir por Isabel, mas não conseguia. Sabia que uma parte dele queria aquilo. Queria aquela mulher com rosto de garota. O ar de sexo e desejo já não estava mais somente ao seu redor, mas também dentro dele. Enquanto Isabel o levava para seu quarto, nem deu muita atenção para a enorme mulher que ia em outra direção, para outro quarto, com uma gaiola com uma garota dentro. - Se divertindo, Tizuka? – brincou Isabel. - Você tem seu brinquedo, eu tenho minha princesa. – respondeu a quase gigante mulher. E entrou para seu quarto, levando consigo sua prisioneira de olhos tão adormecidos quanto do morto visitante. Lá embaixo, Damien sorria pelo seu aparente sucesso, quando Mordenkai novamente se materializou diante dele. - Conseguimos, mestre. - Eu consegui, demônio. Não sei onde Oz estava com a cabeça quando lhe enviou a mim. Será que ele não saberia do risco que correria por causa da amnésia post mortem que sempre o acomete durante a passagem? - Talvez ele tenha planejado tudo isso. - Claro. Oz é só a criatura, não o criador. E como ele mesmo se criou, sabe que tem que morrer para renascer, para ficar livre de si mesmo. - Um pouco confuso, eu diria. Ainda mais num mundo como o nosso, onde tempo, espaço e imaginação não têm limites... – questionou Mordenkai. - É sempre a mesma história, demônio. – disse o filho de Lúcifer olhando para a escada pela qual o morto subiu – Começa pelo meio, ele morre, tem personagens estranhos e música cult. É o ciclo! No quarto, o entorpecido e hipnotizado rapaz se assustou apenas com o chão molhado. Parecia sangue. Muito sangue.
postado por Oz (The Dead) às 20:12
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O POETA MORTO Cápitulo 1 - Welcome To HellO frio cortava-lhe as espinha em dois, mas não podia sentir. Pensava que sentia, mas não sentia. Era apenas como se o vento lhe apertasse nas costas, e ele achava que era frio, mas não podia dar certeza de que era. Afinal, lá estavam eles, Cora e ele, mortos. Vislumbrando um cemitério coberto pela neblina e dez túmulos alinhados no chão. Ouviu passos. Então, do meio da névoa, surgiu um homem magro, sem cabelos, com uma estranha roupa vermelha e sombria, de aparência bem velha, com uma espécie de cedro na mão. - Aqui está você! - exclamou o desconhecido. - Quem é você? - perguntou. Cora não estava mais sorrindo. Agarrou-se em sua boneca de pano. - Mordenkai, ora. O demônio, quem mais poderia ser? Fez uma cara de espanto e teve um pouco de medo. - Ele é o primeiro, Mordenaki. Ainda não sabe sobre você, nem nada. - Ah, claro! Tinha esquecido. Essa coisa de atemporal confunde minha cabeça às vezes. - e riu. - Sei. Mandaram vir buscá-lo? - Ele sente sua falta, sabia? - disse o demônio. - Eu sei. - disse Cora, não muito feliz. - Por isso voltei. - Não muito animada. - Nunca volto para cá "animada". É um pré-requisito para chegar até aqui. Mas você não está aqui por minha causa. - Oh, sim, claro. O rapaz. - virou-se para ele. - Seu caminho o espera. - Hein? - indagou o rapaz. - Às vezes me esqueço de como ele parece não captar as coisas, apesar de não ser bem isso. E fale direito com o rapaz, demônio. Você sabe quem ele é! - bronqueou Cora. - Certo, certo! - virou-se para ele em reverência, quase dobrando os joelhos. - Sua presença é requisitada, milorde. Sua Saga, seu Mundo, o aguarda. - Milorde? Meu Mundo? Eu não... - Diga-me. Lembra de quem é, de onde veio, como morreu? - perguntou-lhe Cora. - Não, não consigo me lembrar. - disse, depois de pensar um pouco. - Então vamos. Confie em mim. Logo tudo será esclarecido. Ele a olhou nos olhos dela e os viu quase translúcidos. Teve medo. Muito medo. Ele não conseguia ver, mas sabia do que tinha medo. Mordenkai não viu aquilo com bons olhos. - Ele não vai gostar nada disso. Mas enfim... O demônio virou as costas para eles e caminhou até o centro dos dez túmulos alinhados, no meio da enorme estrela desenhada com grama morta. Eles o acompanharam e quando já estavam ao lado daquele homem estranho, o rapaz perguntou: - Para onde vamos? - Ora, Oz. - disse o demônio, de forma serena. - Para o Inferno. De onde mais poderia vir um demônio? E fez um gesto com as mãos. Os olhos de Mordenkai pegaram fogo instantaneamente e tudo ficou mais turvo e indefinido. O rapaz sentiu uma angústia sem fim e sua alma queimando. O chão se abriu e os devorou. Tudo ficou escuro. Ouviu suspiros inteligíveis e em seguida gritos, muitos gritos. Havia algo lhe queimando por dentro, mas não sentia nem frio, nem calor. A escuridão foi dispersando e um cenário desértico e desolado foi sendo revelado. Aos poucos foi percebendo que os gritos que ouvia era gritos de dor misturados a gritos de prazer sexual. Sabia que havia um cheiro forte e ruim que ficava impregnado nas narinas, mas não podia senti-lo. Olhou para trás e viu um enorme portão que parecia ter sido feito a milhares de anos. Era composto de pedras, lâminas, ossos, sangue e espíritos desesperados. Era uma das entradas do Inferno. Mordenkai os puxou para caminhar e assim seguiram caminho. Pareciam andar por uma eternidade, um tempo interminável, por uma estrada rochosa e vermelha, com bichos estranhos que os olhavam por tocas escuras na beira da estrada. - Que bichos são esses? - perguntou. - Não são bichos. São almas. Condenadas a ficar espreitando o caminho dos outros. - disse Cora. Ao longe, ele podia ver uma luz de batalha, como se houvesse uma guerra naquelas terras. E ainda os gritos o seguindo. A interminável caminhada havia chegado ao fim. Estavam diante de um enorme e incompreensível palácio. Olhou para trás e viu o enorme portão a apenas alguns metros. Entendeu, mas guardou para si. Ao entrar no palácio, um ar de luxúria preencheu seus pulmões. O interior era todo vermelho e preto, com uma luz suave que ele não sabia de onde vinha. Havia muita gente ali dentro. Homens, mulheres e seres estranhos que ele julgou serem demônios. Estavam todos no meio de um ato sexual interminável, numa massa que parecia se mover como uma coisa só. Percebeu que os gritos de dor e prazer vinhas das mesmas bocas. Tudo se misturava a uma música pesada, com batida repetitiva e quase indecifrável. - Desculpe-me por isso. Ele não sabe fazer outra coisa. - disse Cora, de cabeça baixa. - Estamos aqui, senhor! - gritou Mordenkai. - Ele quem? - perguntou o rapaz, que tentava ficar a salvo da excitação que rondava o ar. De repente, surgiu de dentro daquela massa, um homem com um roupão vermelho e preto. Era alto, bonito, de origem difícil de decifrar. Tinha um certo charme e trazia nos olhos aquela luz de riquinhos arrogantes. Estava acompanhado por uma mulher, nua, com cabeça de gato. - Ora, vejam quem está aqui! - exclamou o homem, estendendo a mão ao rapaz. - Meu velho e bom amigo Oz! - Ele não se lembra, milorde... - disse o demônio. - É, eu sei. Mas logo se lembrará. É apenas um trauma da primeira morte. Com o tempo tudo se esclarecerá dentro de sua cabeça. - cumprimentou o rapaz. - Eu sou Damien, o filho de Lúcifer. Bem-vindo ao Inferno. Quer beber alguma coisa?
postado por Oz (The Dead) às 12:09
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